A versão final do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) foi publicada na semana passada, quase um ano após a apresentação de seu esboço durante a 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. Os avanços entre as duas versões são dignos de nota e reconhecimento da equipe envolvida. Temos agora um plano mais detalhado, que nos permite fazer perguntas e nos engajarmos em reflexões mais aprofundadas e interessantes. Uma dessas reflexões tem como ponto de partida as referências do texto à palavra linguagem.
A primeira delas aparece no terceiro dos quatro grandes objetivos previstos pelo plano: “desenvolver modelos de linguagem de grande escala (LLM)
[do acrônimo em Inglês, Large Language Models] para inteligência artificial em português, baseados em dados nacionais”. Para colocar os pingos nos Is, ou, nesse caso, nos Ls: a tradução de language nesse contexto não é linguagem, mas língua.
E, não, esse texto não é um lamento de um purista que toma por ofensa pessoal uma escolha tradutória infeliz —ainda que eu tenha me dedicado, nos últimos 15 anos, a construir datasets de treinamento e modelos computacionais para o Português Brasileiro. É uma tentativa de um linguista de sumarizar e didatizar aquilo que mais de um século de estudos em Linguística nos ensinou sobre como as línguas funcionam, o que elas são, porque elas não devemser tomadas como sinônimos da capacidade cognitiva para a linguagem e porque isso importa no contexto do PBIA.
Matéria do site https://www.uol.com.br/tilt/analises/ultimas-noticias/2025/06/23/plano-brasileiro-para-turbinar-ia-ignora-conceito-basico-da-tecnologia.htm





